A Greve dos Correios atinge o Ecommerce

A Greve dos Correios atinge o Ecommerce

Uma nova greve dos Correios entrou em vigor recentemente. Desta vez, as entidades representantes dos trabalhadores questionam cortes de benefícios e outros pontos essenciais para a manutenção de seus trabalhos…

A verdade é que o contexto atual em que os Correios está inserido é um tanto complexo…

Enquanto há uma alta demanda de entregas de pedidos em virtude do isolamento social, funcionários da estatal entraram em paralisação questionando, até mesmo, os planos do Governo para os Correios…

Em nota, a empresa esclareceu mais pontos sobre a greve dos Correios feita pelos trabalhadores. Entenda:

Greve Sem Previsão de Retorno

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) entrou em greve nesta segunda-feira (17). Segundo a entidade, não há prazo para o fim da paralisação na estatal.

Cerca de 100 mil funcionários da estatal protestam contra 3 pontos específicos:

  • Retirada de direitos;
  • Privatização dos Correios; 
  • Ausência de medidas para proteger os empregados da pandemia do novo coronavírus.

A seguir, vou te explicar mais detalhes sobre cada um desses pontos e também vou te esclarecer o posicionamento dos Correios em relação aos pontos questionados…

Revogação de 70 Direitos

De acordo com as entidades, a estatal retirou 70 dos 79 pontos da convenção coletiva que complementam o salário médio de 1800 reais dos trabalhadores. 

Os pontos conflitantes que causaram a greve dos Correios são alguns, como:

  • Ajuste no valor concedido no ticket refeição: Segundo os Correios, a concessão atual “extrapola a jornada laboral, alcançando o recesso semanal e as férias dos empregados“;
  • Alteração na remuneração de férias: Hoje, os funcionários recebem 2/3 de adicional ao salário. A CLT garante ao trabalhador 1/3 de incentivo no período de descanso;
  • Redução no adicional noturno: Hoje, na estatal, é na faixa de 60%. Os Correios querem a “manutenção do adicional noturno conforme legislação, no valor de 20% ao da hora diurna”;
  • Mudança na licença maternidade: Atualmente, a licença é de 180 dias. A nova proposta prevê 120 dias;
  • Alteração no período de amamentação: Hoje, o período é de uma hora de intervalo em cada turno, e a nova proposta pede que seja 30 minutos em cada descanso. 

Os funcionários reforçam que não estão fazendo a greve por benefícios, mas pela manutenção dos direitos estabelecidos pelo acordo coletivo com validade até 2021

Mas este é apenas um dos tópicos debatidos pelos grevistas. Existem mais duas questões em conflito entre funcionários e a estatal. Veja só…

Privatização dos Correios Preocupa Trabalhadores

Os Correios  estão na lista do projeto do governo federal que visa privatizar estatais.

Entre os nomes citados para projeto também estão: o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), Eletrobrás, Casa da Moeda, Telebrás e outras instituições.

Os representantes da Greve dos Correios acreditam que a iniciativa em relação aos direitos dos funcionários é uma tentativa para o sucateamento e desmonte dos Correios. Tudo para justificar a privatização da estatal…

A categoria reforça que corte nos direitos dos trabalhadores aconteceu no momento em que os Correios registram maior volume de rendimentos. Isto é,  graças ao aumento de entregas de compras feitas online durante o isolamento social.

Em comunicado no site da FENTECT, o secretário geral da federação, José Rivaldo da Silva, afirma:

“Somos responsáveis por um dos serviços essenciais do país, que conta com lucro comprovado, e com áreas como atendimento ao e-commerce que cresce vertiginosamente e funciona como importante meio para alavancar a economia. Privatizar é impedir que milhares de pessoas possam ter acesso a esse serviço nos rincões desse país, de norte a sul, com custo muito inferior aos aplicados por outras empresas”.

Para complementar a greve dos Correios, ainda há um outro ponto de conflito: a possível negligência dos Correios em relação aos funcionários na pandemia… 

“Descaso e negligência com a saúde e vida dos ecetistas”

A Fentect relatou que foi preciso acionar a Justiça para obrigar os Correios a garantir aos empregados equipamentos básicos de proteção individual, como máscaras e produtos para desinfecção de pacotes e agências.

Além disso, também buscou por meio da Justiça o afastamento de funcionários do grupos de risco e dos que coabitam com crianças em idade escolar…

Segundo a federação, quase 100 trabalhadores morreram em decorrência da Covid-19 no último período

Os dirigentes dos Correios, por sua vez, também prestaram esclarecimentos em meio a tantos questionamentos…

Posicionamento dos Correios

Em defesa frente aos pontos discutidos pela Greve dos Correios, a estatal informou que não pretendem suprimir direitos dos empregados… 

A empresa afirma que propõe ajustes dos benefícios concedidos com base no que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados.

Em trecho, a estatal afirma:

“A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.”

Entre outros pontos, os Correios também ressaltam que possuem um Plano de Continuidade de Negócios para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa…

Entretanto, efetividade desses serviços entra questão, principalmente porque o Procon-SP já registrou aumento de 400% de queixas contra Correios durante a pandemia, somando  um total de 1.568 queixas. 

Em 2019, no mesmo período, os Correios tiveram apenas 315 queixas …

Ou seja, todo esse cenário mostra que a crise nos Correios é muito mais complexa que do que um corte ou ajustes de benefícios de funcionários.

A Greve dos Correios atinge o Ecommerce?

Sem previsão para o retorno dos serviços prestados pelos Correios, resta aos empreendedores buscarem novas soluções logísticas, como JadLog, Latam Cargo, Azul Cargo, Braspress, Total Express etc.

Principalmente porque um Ecommerce não funciona se não estiver aliado a uma boa logística de entrega. 

Assim, com a alta demanda das compras online em meio à pandemia, os serviços prestados pelos Correios vão fazer falta. Mas as empresas de logística, mais do que nunca, surgem como aliados para os empreendedores neste período.